Opinião

Zambujo e Araújo arrasam Coliseu do Porto

Fevereiro 25, 2016

A primeira noite de oito espectáculos no Coliseu do Porto da dupla António Zambujo e Miguel Araújo começou ontem e nós estivemos lá a aplaudir, a vibrar, a sentir a música portuguesa ao seu mais alto nível. 

(Alerta de Spoiler: se vão estar presentes nos próximos concertos o melhor mesmo é abandonar a leitura deste post, vamos aqui falar sobre a experiência. Quem avisa, amigo é! πŸ˜‰ )

17! 17 é o número de datas divididas entre o Coliseu dos Recreios e o do Porto. E nem eles sabem muito bem explicar como tal aconteceu. O certo é que quando as luzes iluminaram o palco e as figuras dos artistas sobressaíram, o público ficou entusiasmado quando soaram os primeiros acordes de guitarra. Adivinhava-se uma noite longa… E feliz, a ouvir a dupla bejense (Zambujo) e portuense (Araújo).

Zambujo e Araújo

© Paulo Bico

Com uma amizade assumida já mesmo antes de cada um ter a sua carreira a solo, a cumplicidade em palco é mais do que evidente. Ficamos com a sensação de que estamos a assistir a um convívio entre dois bons amigos, que decidiram ali fazer arranjos e reinterpretações de sucessos musicais. E que nos brindam, já agora, com um leque soberbo de instrumentos, desde a guitarra acústica à guitarra eléctrica, incluindo a guitarra oitavada, o piano e o contrabaixo.

O pano de fundo eram vários escadotes reutilizados das vindimas e que, segundo eles, “proibidos pela ASAE”. De resto, estávamos perante um cenário despojado de artifícios porque o que ali interessava era a música… E a garrafa de vinho em cima da mesa, da qual iam tomando uns goles para embalar a noite e o público!

Zambujo e Araújo

© Paulo Bico

E o espectáculo começa com um toque de humildade por parte Zambujo, que não pôde deixar de enaltecer as suas origens e agradecer “aos velhotes que cantavam numa tasca em frente à casa da minha avó” e que o deixaram com vontade de cantar, de aprender aquelas músicas do Alentejo. E recorda que a partir daí começou esta grande paixão que o move, cantarolando “Acorda Maria, acorda / Acorda, Mariazinha / Quem tem amores não dorme /Senão de madrugadinha”. Já Araújo aproveitou a deixa para falar sobre as suas influências musicais, essas um pouco distintas das de Zambujo, já que é um grande fã e intérprete de Bob Dylan. E lembra os momentos passados com os tios que o estimulavam para a música.

Zambujo segue a conversa com Araújo (e com o público que escuta atento aquelas histórias e risadas!) e aborda o fado. Depois da música tradicional alentejana, o fado é igualmente uma inspiração e a raiz de tudo aquilo que é hoje. E revela até que a sua popularidade na escola atingia níveis baixos por causa do gosto peculiar. Mal sabiam os colegas no que ele iria tornar-se! Mesmo assim, o cantor tinha um “grupo clandestino” com o qual se juntava para ouvir este tipo de música portuguesa. E mais uma vez põe toda uma plateia a cantar em uníssono “Podes sorrir / Podes mentir / Podes chorar também /De quem eu gosto / Nem às paredes confesso”.

Miguel Araújo ali a assistir e a ouvir falar sobre o fado traz à baila a música que escreveu para a fadista Ana Moura: “E Tu Gostavas de Mim”. Com um Coliseu a rebentar pelas costuras, era hora de agradecer a admirável adesão das pessoas e o inquestionável apoio da rádio Comercial (que estava aliás representada pelo Pedro Ribeiro). Brindaram a nós, brindaram a eles. E que merecido brinde…!

Zambujo e Araújo

© Paulo Bico

Com uma plateia sempre a corresponder, a noite seguiu com interpretações de Chico Buarque, Caetano Veloso e outros artistas brasileiros que foram transformando a forma de cantar e de compor música de cada um deles.

Sempre com uma postura descontraída aliada a uma excelente acústica do espaço, foram oferecendo ao público um repertório diversificado, mas a hora do fim estava a chegar… E eis que a dupla se despede com “Os Maridos das Outras”, deixando a plateia a fervilhar. Mas foi essa mesma plateia que não permitiu que as estrelas da noite fossem efectivamente para o camarim. Pediram mais. Pediram mais mesmo sendo meia-noite de uma Quarta-feira. E eles voltaram! Araújo salta para o piano e Zambujo convida os fãs a acompanhá-lo a cantar Queen.

Concerto Coliseu do Porto

© Paulo Bico

Foram embora de novo. Voltaram! A plateia aguardava o grande sucesso “Anda Comigo ver os Aviões”, eles lá fizeram o jeitinho. Seguiu-se a “Lambreta”, mas nem assim aproveitaram a deixa para irem de lambreta embora. Ouvia-se uma e outra voz a gritar “Canta a Laurinha”… E Araújo brinca e diz que a senhora é Dona Laura. Sim, respeitinho!

O espectáculo não faria sentido se não terminasse com “Porto Sentido”, ou não estivessem eles na terra que inspirou a letra da canção. Foi a emoção final. Todo um público a cantar a música de Rui Veloso.

Os próximos concertos decorrem até Março, vejam se ainda conseguem bilhete. É um concerto imperdível!

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1 Comentário

  • Reply weewew Fevereiro 7, 2017 at 4:06 pm

    ewewewweew

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