Quem passa pelo nº 58 da Rua da Picaria não imagina que lá dentro cabe um mundo inteiro… de sabores.
De um entreposto comercial do século XVIII nasceu um MUNDO, o mais recente espaço gastronómico que fica na Baixa do Porto. Um novo conceito que traz um misto de influências de todo o mundo com especial foco nas cozinhas da Ásia e da América do Sul e Central, sem por isso deixar de haver harmonia entre elas.
Fizemos uma viagem pelos vários continentes sem sequer sairmos do lugar, vamos tentar expressar por palavras esta experiência (não foi apenas mais um jantar!), que não se adivinha tarefa fácil. Se acham que este restaurante tem comparação, aconselhamos a lerem este post até ao fim. Não tem! Não há igual! Pelo menos, por enquanto… 😉
Entrámos, deram-nos as boas-vindas e ainda tivemos direito a “visita guiada”. Foi-nos dito que era a partir dali, daquele espaço altamente belo mesmo mantendo os traços crus, que há três séculos atrás se abastecia a cidade de bens agrícolas e se transportava pessoas de e para o Grande Porto. Logo de início foi incrível recuar e imaginar os tempos frenéticos que ali já se viveram. Agora os tempos são outros e dos cavalos passamos a amantes de boa comida que por ali se deliciam!
Da decoração sobressaem as cinco grandes e magníficas pinturas em graffiti, que retratam mulheres dos cinco continentes, dando logo a entender a multiculturalidade que por ali se respira e levantando já o véu para a variedade da oferta gastronómica. Além da arte sobressai também o metal e o ar inacabado, bem ao estilo industrial. A sala é toda ela iluminada por três enormes candeeiros que parece que sempre ali estiveram, mas não é bem assim. 😉 Se forem em grupo certamente irão ficar sentados nas mesas comunitárias (ao centro) que nos encantaram!
A carta, essa, não se divide por zonas geográficas. Há toda uma fusão de influências deste e doutro país que se acomodam no nosso palato de forma natural e até sublime. Não há espaço para se estranhar. É um “diferente” requintado, um “diferente” que se entranha de imediato. Sim, porque a diferença é a palavra de ordem neste spot.
Aos pratos já lá vamos. Antes vamos registar as mentes brilhantes que se juntaram. Imaginem, no mesmo espaço, chef João Pupo Lameiras como consultor, chef Jorge D’Alte como “chef residente” (acreditamos que ele deixe passar esta nossa graça, dada a simpatia e a leveza de espírito!) e Carlos Bravo como um dos mentores que, aliás, pode afirmar convictamente ser dono do MUNDO.
Sem pretensões são-nos, então, servidos os pratos. Com a explicação atenciosa (e minuciosa 🙂 ) do chef Jorge ficamos a imaginar como será o resultado de tanta influência concentrada num único prato… Ao provarmos somos totalmente surpreendidas, em t-o-d-o-s eles! Num deles a Mariana conseguiu aquilo que é intenção dos chefs: descortinar sabores já provados em outras geografias, como Bali. É mesmo isso que pretendem: invocar memórias de viagens, recordar sensações de infância, viver novas experiências sensoriais, viajar sem levantar da cadeira.
De entrada provámos o couvert que se faz de manteiga de miso, chutney de banana e caril com Queijo Creme.
Das entradas (Mundo Frio) não conseguimos decidir a nossa favorita, mas afirmamos que fomos valentemente surpreendidas pelas sardinhas marinadas com croutons de broa, poejo, presunto ibérico e, imaginem só: gaspacho de morango. Sim, tudo isto cabe num só prato e é divinal!
Igualmente no ponto, golgappas de mousse de foie:
Viajando para o Mundo na Mão, provámos pavé de batata frito, tendo como base puré de cebola caramelizada, ceboleto, molho de gema bt com soja e alga nori que é uma alga desidratada. Seguiram-se dumplings ao vapor de galinha, foie gras e molho teriyaki e ainda dumplings de sopa ao vapor com porco, que levam uma gelatina que derrete na boca, molho de soja e ceboleto.
E chegámos a um Mundo Maior que nos deliciou com um belo de um robalo ao vapor que vem com uma cama de feijão verde chinês, flôr-de-sal a vapor, molho de soja com gengibre, ceboleto, chalota frita e alho.
O outro prato? Um delicioso magret de pato com molho de pimenta preta e mel, gomos de laranja, mix de germinados com vinagrete de limão e pinhões.
A acompanhar tivemos arroz glutinoso, cozido numa máquina própria que o deixa mais pastoso, com molho de soja e ceboleto e também pakchoi com molho de ostra e chalota frita.
Logicamente guardamos um espacinho para uma passagem pelo Mundo Doce, que é como quem diz: sobremesas!
Panna cotta de chocolate branco com calda de morango e água de rosas, granizado de lichia e framboesa desidratada
Ceviche de fruta que, além da fruta, leva leche de tigre e sorvete de lima-hortelã
E, por fim, outro prato curioso: desconstrução de um mil-folhas de batata doce, casca desidratada e gelado de sésamo preto
A ementa é extensa, podemos afirmar que oferece mais de 30 opções e, conforme demos a entender acima subdivide-se em quatro mundos: o Mundo Frio (sugestões frescas), o Mundo na Mão (podem comer à mão, ninguém vai estranhar), o Mundo Maior (pratos principais propriamente ditos) e o Doce (sobremesas).
Virgin mojito foi a bebida escolhida, já que a seguir íamos conduzir. A refeição foi acompanhada por boa música a cargo do DJ que todos os dias sobre à cabine. É tão discreta que nem damos conta que ele ali está a impor o ritmo da noite.
Se acham que aqui apenas se janta, enganam-se! Além do restaurante há ainda um bar associado que se funde perfeitamente no ambiente. Servem-se vinhos, cocktails e há ainda uma versão resumida da carta, com foco nos petiscos. Perfeito!
Ah, e não deixem de ir ao WC. Parece estranho? Acreditem que vale a vossa visita! 😉 Nós ficamos deslumbradas com o espaço.
Descem uma rampa de granito ladeada de bustos resgatados de um antiquário e deparam-se com o género de uma sala de estar, com decoração vintage. O puxador do autoclismo é antigo e é estranho dizer isto, mas é bonito e apetece instalar lá em casa. 😉 No fundo, são as casas-de-banho de restaurante mais bonitas de sempre!
(Por momentos pensámos que pudesse aparecer um dos irmãos Shelby de Peaky Blinders, dada a semelhança do cenário. Não aconteceu!)
Portanto, depois de tudo isto fica o nosso conselho: não se deixem levar pelo (ainda) baixo número de likes na página de Facebook. Primeiro, o restaurante abriu há pouco mais de uma semana; segundo, as pessoas ficam de tal modo extasiadas com os sabores que fazer pesquisas no Facebook é a última coisa que lhes ocorre depois de saírem dali. Assim que vos seja oportuno façam-lhes uma visita, mas apenas ao jantar… Das 18h até às 00h durante a semana (02h ao fim-de-semana) já têm uma outra recomendação com “selo de aprovação” Double Trouble! 😉
Onde fica? Rua da Picaria, nº 58. Porto
9 Comentários
Texto Lindíssimo. A fazer jus ao local! Recomendo 😉
Espectacular descrição do espaço “MUNDO”… do melhor!!!!
Parabéns aos criativos Donos e a quem escreveu.
Lugar a frequentar regularmente.
Muito obrigada, Mónica! 🙂
Os textos e as imagens são sempre nossos, por isso, obrigada de coração!
Beijinho
Qual a média de preço por pessoa?
Obrigada
O preço médio não ultrapassa os 30€! 🙂
Parabéns ao proprietário e ao meu primo Chefe Jorge d’ Alte. A visitar em breve. Boa sorte. Abraço grande.
E o preço? Estou curiosa…
Podem dizer o preço medio por pessoa num jantar? Obrigada
Olá, Sofia!
O preço enquadra-se no tecto dos 30€! 🙂