Opinião

TOP 5: livros que marcaram a leitura em 2015

Dezembro 30, 2015

A trilogia Millenium (que, afinal, não é trilogia porque houve quem continuasse a história) foi o melhor de 2015. Ler é mesmo uma paixão! Ficamos agarrados à vida das personagens.

Millenium, a trilogia que é o melhor policial que já li. Lisbeth Salander, a personagem principal que nos agarra, que nos prende à história, que nos faz querer continuar a ler (até não haver mais páginas!) para descobrir o que lhe acontece. De tão imprevisível que é, ficamos mesmo grudados. É viciante! Quem não leu, que se apresse. O autor da saga, Stieg Larsson, faleceu quando estava a escrever o quarto livro, aos 50 anos, de ataque cardíaco. Nem chegou a ver o sucesso mundial das obras, porque apenas foram publicadas após a sua morte. David Lagercrantz, escolhido pelo pai e irmão de Stieg, continuou a história da Millenium. “A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha” é o nome do quarto volume, mas não está aqui incluído no TOP5, porque as expectativas eram altas e não conseguiu manter a essência da escrita de Stieg.doubletrouble_top5livros (2)O Anjo Caído de Daniel Silva foi também uma agradável surpresa. A história conta mais uma aventura de Gabriel Allon, um dos membros mais emblemáticos do Departamento (a unidade especial de espionagem israelita). O livro foi especial porque para quem, como eu, gosta de viajar, acompanha uma jornada que leva a personagem desde Roma até Viena, passando por Jerusalém, Paris, Berna e Berlim. A par disso, Daniel Silva relata-nos com precisão o conflito entre Israel e os seus inimigos. Apesar de esta ser a décima segunda aventura de Allon, pode ser lido por quem ainda não viveu as aventuras do espião israelita. O autor contextualiza tão bem a história que leva à natural compreensão da existência de Allon.

Lugares Escuros de Gillian Flynn foi talvez o melhor que li em 2015, a seguir à saga Millenium. É o livro que sucede ao êxito “Em Parte Incerta” e que começa desde logo com o prenúncio de uma maldade sem fim: «Tenho uma ruindade dentro de mim, palpável como um órgão. Cortem-me a barriga e provavelmente ela escorrega cá para fora, escura e carnuda, e cai no chão e alguém a pisa. É o sangue dos Day». É assim que a autora apresenta Libby Day, a personagem de 31 anos que tem uma história traumática. Gillian Flynn entra no lado negro da mente humana e vicia-nos nesta obra! A não perder.
doubletrouble_top5livros (3)E porque a vida não é um mar de rosas… “Se Isto É Um Homem” e “Vendidas”!

Se Isto É Um Homem é o testemunho de Primo Levi sobre a condição humana, escrito com a crueza implacável de quem sobreviveu a Auschwitz-Birkenau, de quem assistiu à desumanização progressiva.
Químico italiano, nascido em 1919, Primo Levi  é preso e deportado para o campo de concentração devido a ser judeu. Isto aconteceu em Dezembro de 1943 e permaneceu lá até ao fim da Guerra, em Janeiro de 1945. Foi dos poucos que aguentou tanto tempo. Incómodo, humilhação, privação, violência. É tudo tão pouco para descrever aquilo que nos passa através do livro.
Motivos para ler as obras de Primo Levi? A realidade não pode ser ignorada!

Vendidas, a história real de duas raparigas – Zana e Nadia, filhas de pai iemenita e mãe britânica, que viviam em solo britânico, mas que foram induzidas pelo pai a irem ao Iémen, supostamente de férias. A realidade opõe-se à ilusão de irem conhecer um país tão diferente do seu. Acabam por conhecer o horror e a infelicidade: foram vendidas pelo próprio pai e acabam casadas com dois adolescentes. Zana Muhsen descreve neste livro a sua história e o combate que tem travado em prol da libertação da irmã, juntamente com a mãe.
Um relato impressionante de como ainda existem etnias religiosas capazes de cometer tamanhas atrocidades. Um choque cultural!

Também aqui neste top poderia estar “A Rapariga no Comboio”, a história escrita por Paula Hawkins que foi um dos mais rápidos sucessos de sempre. Já em 2016 haverá filme baseado na obra que vendeu dois milhões de cópias nos primeiros três meses. Surpreendente! Mas, lá está, quem lê Gillian Flynn ou Stieg Larsson dificilmente se derrete com Paula Hawkins. 😉

OBS: Considerei isto um “top 5” porque a saga Millenium de Larsson lê-se de uma assentada só, portanto conta como um só livro e não como três 😉

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