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Berlim: dois dias na cidade sabe a muito pouco!

Fevereiro 4, 2016
Berlim

Berlim é a cidade a que todos deveríamos ir. É um caldeirão cultural onde encontramos pessoas das mais variadas nações. É o berço da história recente da humanidade. Vamos viajar?

De Berlim espera-se sempre muito. É uma cidade que viu muita coisa acontecer nos últimos 80 anos… Entre guerra, separação, reunificação e renovação, a cidade mudou várias vezes de cara e hoje recebe turistas de todos os cantos do mundo.

Se de um lado temos uma mistura de edifícios históricos, do outro temos uma vasta amostra de arquitectura moderna. Podem contar com uma cidade cosmopolita, multicultural e acessível. Uma cidade carregada de arte, cultura, museus, teatros e muita vida a rolar! Em cada canto sentimos que a cidade continua a pulsar… É vibrante, mas tranquila ao mesmo tempo!

Chegámos a Berlim numa Sexta-feira 13 à noite e não podia ter corrido melhor! 😉 Do aeroporto Berlim (Schönefeld) ao centro apanhamos o comboio Airport Express que parte a cada 30 minutos. Como o hotel ficava muito perto da principal estação – a Alexanderplatz – foi fácil pousar as malas e ainda ir dar uma volta na parte mais central da cidade. Portanto, fomos ver a Torre de TV, que fica na Alexanderplatz e que está entre as construções mais altas da Europa. Jantámos no Vapiano, mesmo ali ao lado da Torre de TV. É nada mais nada menos que uma cadeia alemã de restaurantes com fast food de comida italiana de qualidade. Os ingredientes são frescos e a comida é feita na hora, sendo que o cliente vê a refeição a ser preparada. Voltámos para o hotel (Derag Livinghotel Grosser Kurfürst), era preciso descansar, esperava-nos um fim-de-semana intenso, sem tempo a perder!

Berlim

Sábado, o primeiro dia na cidade. Como tínhamos pouco tempo, decidimos apostar numa free tour para entendermos melhor a cidade. Mas, antes disso, fomos visitar o Reichtag (Parlamento Alemão) e o Bundestag (Cúpula do Parlamento). É importante começar a visita à cidade por aqui, e porquê? Para além de termos uma vista panorâmica, é-nos fornecido um guia de áudio (também grátis) em português – ou outra língua – que narra detalhes sobre o parlamento e sobre outros pontos de Berlim. Assim, à medida que vamos circulando pela cúpula, vamos percebendo melhor todas as particularidades da cidade. Altamente recomendado! Mas, atenção: convém agendar com dois dias de antecedência, no mínimo, através do site.Berlim

De seguida fomos então caminhar pela cidade com um simpático guia espanhol. O ponto de encontro é mesmo ao lado do Parlamento, no Brandenburger Tor (Portão de Brandenburgo) – o postal mais famoso de Berlim. Depois de uma breve introdução histórica, lá começámos a tour. A primeira paragem foi o Holocaust-Mahnmal (Memorial do Holocausto) – o memorial dedicado aos seis milhões de judeus mortos durante o regime nazista. Foi-nos explicado que o monumento tem mais de 2000 blocos cinza escuro, distribuídos em fileiras paralelas sob uma superfície ondulada, de modo a produzir uma atmosfera confusa e intranquila.

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Continuamos a caminhar e foi-nos apresentado o Führerbunker – o suposto bunker de Hitler. Actualmente, apenas se vê um parque de estacionamento e um painel informativo que indica que era ali o bunker. Só em 2006 é que colocaram este painel, pouco antes do Mundial na Alemanha. As autoridades alemãs sempre tiveram receio que o lugar se tornasse um santuário para neonazistas.doubletrouble_berlim (6)De seguida fomos ver um dos fragmentos do Muro de Berlim. Há vários espalhados pela cidade: na Potsdamer Platz; próximo ao Checkpoint Charlie; na Bernauer Straße, onde há um memorial; e na Niederkirchnerstraße, onde tem a exposição “Topografia do Terror”. O que está contemplado nesta tour e o que fica próximo ao Checkpoint Charlie. Para os mais atentos, consegue ver-se por toda a cidade, no chão, uma trilha de paralelepípedos com uma placa de ferro com a inscrição “Berliner Mauer 1961-1989” (Muro de Berlim 1961-1989). Mostram o percurso por onde passava o muro enquanto ainda estava erguido.Berlim

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Checkpoint Charlie, o ponto que se seguia. Era um posto militar na fronteira entre Berlim Ocidental e Oriental durante a Guerra Fria, que servia como um ponto de controlo para registar a passagem de membros das Forças Aliadas e diplomatas estrangeiros. Hoje é um dos lugares mais visitados da cidade, em que os turistas aproveitam para tirar fotos com os homens que lá estão vestidos de soldados como que a fazer uma reinterpretação daqueles tempos.Berlim

A visita seguiu, depois de um intervalo para bebermos algo quente, já que o frio era muito. Fomos conduzidos à Gendarmenmarkt, a praça mais bonita da cidade. Alberga três elegantes edifícios: ao centro temos a Konzerthaus (Casa de Concertos) e dos lados as igrejas praticamente gémeas – a Französischer Dom (Catedral francesa) e a Deutscher Dom (Catedral alemã). No centro da praça tem ainda uma estátua do poeta Friedrich Schiller.Berlim

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Ali perto foi-nos dada a conhecer a Bebelplatz, a praça onde durante o regime nazista foram queimados livros de autores considerados como “não-alemão”, entre eles Sigmund Freud, Karl Marx e Kurt Tucholsky. No meio da praça, o guia mostrou-nos uma placa de vidro no chão, através da qual pode-se ver uma sala subterrânea com estantes de livros vazias. É um memorial discreto, mas simbólico. Ao lado, há uma citação de Heinrich Heine“- Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas”. 🙁 Um murro no estômago!doubletrouble_berlim (11)

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Ao lado vimos ainda a Humboldt Universität, uma das mais importantes universidades da Alemanha e a mais antiga de Berlim, por onde já passaram Albert Einstein e Karl Marx. Importante, ãh? 😉 Para além da universidade, naquel perímetro admirámos também o imponente edifício que é a Staatsbibliothek (Biblioteca do Estado).Berlim

Daqui seguimos a avenida Unter den Linden, uma das mais famosas de Berlim, com 1.5km de extensão. Tem vários edifícios bonitos: o prédio Alte Kommandantur, o Kronprinzenpalais (Palácio do Príncipe herdeiro), Prinzessinnenpalais (Palácio da Princesa) e o Zeughaus que é o edifício  mais antigo da Unter den Linden.

Terminada a tour, Berlim estava por nossa conta! Passámos pela Ilha dos Museus, uma vasta área que é considerada Património Cultural Mundial pela UNESCO e que abriga cinco grandes museus. Queríamos ter visitado o Pergamonmuseum, mas não havia tempo. Fomos ver de perto a Berliner Dom (Catedral de Berlim), mesmo ali nas margens do rio Spree, singular e imponente!

A hora de almoço já ia longe, tínhamos de parar, apesar de ainda haver tanto para ver. Fomos ao restaurante Kantine Deluxe, em que os pedidos são feitos através de um tablet e somos avisados quando estiver pronto através do mesmo mecanismo. É um serviço rápido, bastante funcional e a comida era boa, por um preço justo.

(Ainda vamos no primeiro dia!)

Continuámos o passeio… Fomos visitar o Nikolaiviertel, uma área que parece uma cidade medieval e que fica próximo à Rotes Rathaus (o género de Câmara Municipal). É a área mais antiga de Berlim e que alberga a igreja Nikolaikirche – a mais antiga da cidade e de onde vem o nome Nikolaiviertel. É encantador este canto de Berlim. as ruas são estreitas e dá-nos a sensação de estarmos numa vila antiga.
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Durante a tour que fizemos de manhã ficamos com o “bichinho” de ir visitar a Topografia do Terror, então voltámos lá. É um museu, mais um local de lembrança do passado. Entrando temos uma melhor percepção do que aconteceu no regime nazista. O memorial documenta os horrores praticados pelos nazistas, mostrando os crimes e as atrocidades de forma crua para que não caiam no esquecimento. A visita é grátis e recomendamos verdadeiramente.

No fim, fomos passear para o trecho do muro mais famoso, o East Side Gallery. Fica na Mühlenstraße, ao longo do rio Spree, entre a Ostbahnhof e a ponte Oberbaumbrücke (muito bonita, por sinal!). Percorremos mais de 1km de muro com mais de 100 pinturas de artistas de várias partes do mundo, que expressam os acontecimentos políticos ligados ao muro. É uma verdadeira galeria a céu aberto!doubletrouble_berlim (16)

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Entretanto anoiteceu e tivemos a curiosidade de ir ver a Potsdamer Platz iluminada. É uma praça com prédios modernos, um dos locais mais movimentados de Berlim. É lá que se encontra o Sony Center, um complexo com lojas, restaurantes, escritórios e cinemas (incluindo o IMAX), e ainda o Passeio da Fama do género do Walk of Fame de Hollywood, mas com estrelas para celebridades alemãs.

O dia ia longo. Fomos jantar e descansar para o hotel!

O Domingo começou igualmente cedo: havia toda uma cidade frenética à nossa espera. Depois de uma breve paragem na Starbucks da Alexanderplatz para um pequeno-almoço agradável, apanhámos o metro para chegar até Bernauer Straße, onde tem o Memorial do Muro de Berlim. É uma rua carregada de história, marcada por muitos acontecimentos trágicos.
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Esta rua – a Bernauer Straße – marcava os limites entre os bairros Wedding e Mitte e com a divisão de Berlim em quatro sectores após a guerra, a rua ficou confinada a dois sectores:  enquanto a rua em si pertencia ao sector francês (bairro Wedding), os prédios no lado sul da rua pertenciam ao sector soviético (bairro Mitte). A partir da noite do 13 de Agosto de 1961, as barreiras começaram a ser construídas e as pessoas ficaram de um momento para o outro separadas dos seus familiares e amigos. Portanto, na Bernauer Straße há todo um memorial para lembrar a divisão de Berlim e as pessoas que foram mortas ou morreram ao tentar fugir para o lado ocidental.Berlim

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Deste Memorial fazem parte: o Centro para Visitantes, no qual se obtêm informações e orientações sobre o extenso memorial; o Centro de Documentação, onde através de exposições nos mostram os factos relevantes levaram à construção do muro e como isso afectou a vida as pessoas; a Capela da Reconciliação, onde antes havia uma igreja protestante, mas que por estar exactamente onde era a “faixa da morte” foi demolida em 1985 pelo governo da Alemanha Oriental. Em todas as partes do memorial o acesso é gratuito, não deixem de ir!

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Ainda nesta zona, e como era Domingo, fomos ao Flohmarkt, ou seja, o mercado de pulgas no Mauerpark. Acontece todos os Domingos, durante todo o ano, das 8h às 18h. São dezenas de barracas que vendem de tudo um pouco, inclusive comida.

Foi o momento relaxante do dia, porque depois seguimos para mais um lugar com uma forte carga emocional: o Jüdisches Museum Berlin (Museu Judaico de Berlim). A arquitectura (a cargo do arquitecto Daniel Libeskind, filho de judeus sobreviventes do Holocausto) é o que mais surpreende no edifício, para além de este ser o maior museu judaico da Europa. A exposição permanente mostra dois milénios de história judaico-alemã, a relação entre judeus e não-judeus e tudo o que isso envolveu. O preço dos bilhetes pode ser consultado aqui.
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Para terminar a visita a Berlim fomos passear para o popular bairro de Friedrichshain, com moradores claramente mais jovens e alternativos. É o bairro da moda e é óptimo andar por lá a perambular pelas ruas, admirar a arte de rua com grafites nas fachadas dos edifícios e observar o público que anda por lá. Com tantos bares e restaurantes, não acertámos no que escolhemos para almoço, era um mexicano não muito bom. Isto tudo porque não conseguimos encontrar o famosíssimo Burgermeister.
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Viagem Berlim

Terminava aqui o “tempo de antena” em Berlim. Muita coisa ficou por ver: o bairro Prenzlauer Berg, o Parque Friedrichshain, o Palácio das Lágrimas, o Museu Histórico Alemão, o Museu Pergamon, a Ilha do Pavão e tantas outras coisas fantástica que há na cidade. Voltaremos lá!

O que mais surpreende em Berlim é o facto de se notar claramente que o país não esconde a sua história, pelo contrário! São vários os memoriais que registam os momentos mais marcantes da história recente. Os alemães valorizam isso e vimos de lá com a sensação de que todos esses monumentos são uma mensagem para não esquecermos, de forma a nunca mais se repetir. De louvar!

Esta viagem foi feita em Março de 2015.

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4 Comentários

  • Reply Marisol Machado Fevereiro 6, 2016 at 9:57 am

    Bom dia Eduarda e Mariana!

    Eu faço planos de ir a Berlim em breve e depois de ter lido os vossos relatos a vontade aumentou. Vocês podem dar-me mais algumas informações relativamente a preços para estadia, transportes dentro de Berlim, guias turisticos, segurança da cidade…? Se souberem também dos valores para idas em grupo, eu agradeço. Depois da vossa experiência, quanto é que cada pessoa gasta no mínimo num fim-de-semana em Berlim?

    Desde já agradeço a vossa atenção e muitos parabéns pelo vosso blog.

  • Reply Double Trouble Fevereiro 6, 2016 at 5:04 pm

    Olá, Marisol. Muito obrigada pelo feedback e por seguires o nosso blog! 🙂

    Ora bem, Berlim tem imensas opções de alojamento no centro, que vão desde os mais luxuosos aos mais simples e baratos albergues. O ideal mesmo é a Marisol ter em conta a localização, sendo que as melhores zonas para hospedagem são o Mitte (bairro mais central), o Tiergarten (onde fica o Reichtag), o Charlottenburg (Berlim Ocidental), o Prenzlauer Berg (Berlim Oriental), o Friedrichshain e o Kreuzberg (são bairros mais alternativos e com mais jovens).

    Quanto a transportes públicos, Berlim está realmente bem servida. Para além dos autocarros, há o tram e o metro tram (viajam em trilhos pelas ruas e vêem-se mais na parte leste da cidade), o U-Bahn (subterrâneo) e o S-Bahn (à superfície). Nós usámos muito o U-Bahn que se limita ao centro de Berlim e o bilhete diário rondava os 7€, dava para a zona A e B. O S-Bahn cruza as fronteiras da cidade. A rede de transporte público está dividida em 3 zonas: A, B e C. A zona A é o centro, onde se encontram as principais atracções. Dentro da zona B estão o aeroporto Tegel, enquanto o aeroporto Schönefeld e Potdsdam ficam na zona C. Há ainda os bilhetes turísticos, por exemplo o Berlin CityTourCard (48 Horas) que custa à volta de 18€.

    Quanto a guias, é o Google 😉 Muita pesquisa e depois é ver no Google Maps qual a melhor rota.

    A cidade é super segura. O preço dos restaurante é semelhante aos de cá, nada de extraordinário. Em média, gastámos 35€ por dia 😉 Tranquilo! Não é uma cidade cara, apesar de termos essa ideia preconcebida por ser a capital alemã.

    Beijinhos **

  • Reply Marisol Machado Fevereiro 10, 2016 at 12:32 pm

    Olá! 🙂

    Antes de mais quero agradecer o vosso feedback e toda a informação que aqui me disponibilizaram! 😉
    Eu já fiz diversas pesquisas no google, mas não há nada como testemunhos de sucesso na primeira pessoa.
    Mais uma vez obrigada por partilharem as vossas experiências connosco.

    Beijinhos**

    • Reply Double Trouble Fevereiro 15, 2016 at 6:17 pm

      Sempre às ordens, estamos aqui para ajudar, Marisol Machado.
      Beijinhos *

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